O sistema de transportes adotado no Brasil define-se basicamente por uma extensa matriz rodoviária, sendo também servido por um sistema limitado de transporte fluvial (apesar do numeroso sistema de bacias hidrográficas presentes no país), ferroviário e aéreo. O intuito de criar uma rede de transportes ligando todo o país nasceu com as democracias desenvolvimentistas, em especial as de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck. Àquela época, o símbolo da modernidade e do avanço em termos de transporte era o automóvel. Isso provocou uma especial atenção dos citados governantes na construção de estradas. Desde então, o Brasil tem sua malha viária baseada no transporte rodoviário.
Transporte aeroviário
O país sedia importantes aeroportos internacionais, sendo destino de uma série de rotas aéreas internacionais. Porém, empresas internacionais normalmente trabalham apenas com um número limitado de portos, o que faz com que o transporte dentro do país se faça através de uma série de escalas. A aviação iniciou-se no Brasil com um vôo de Edmond Plauchut, a 22 de Outubro de 1911. O aviador, que fora mecânico de Santos Dumont em Paris, decolou da praça Mauá, voou sobre a avenida Central e caiu no mar, de uma altura de 80 metros, ao chegar à Ilha do Governador. Era então bem grande o entusiasmo pela aviação. Em 17 de Junho de 1922, os portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegaram ao Brasil, concluindo seu vôo pioneiro, da Europa para a América do Sul. E em 1927 seria terminada, com êxito, a travessia do Atlântico, pelos aviadores brasileiros, João Ribeiro de Barros e Newton Braga, no avião “Jaú", hoje recolhido ao Museu do Ipiranga.
O ano de 1927 é o marco da aviação comercial brasileira. A primeira empresa no Brasil a transportar passageiros foi a Condor Syndikat, no hidroavião “Atlântico", ainda com a matrícula alemã D-1012 que, em 1° de janeiro de 1927 transportou, do Rio de Janeiro para Florianópolis, o então Ministro da Viação e Obras Públicas, Vitor Konder. A 22 de fevereiro, iniciava-se a primeira linha regular, a chamada “Linha da Lagoa", entre Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande. Em junho de 1927, era fundada a Viação Aérea Rio-Grandense (Varig), sendo transferido para a nova empresa o avião “Atlântico", que recebeu o prefixo nacional P-BAAA. A 1° de dezembro do mesmo ano, a Condor Syndikat, que acabara de inaugurar sua linha Rio - Porto Alegre, foi nacionalizada, com o nome de Sindicato Condor Limitada, sendo rebatizada, durante a II Guerra Mundial, com o nome de Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul (absorvida nos anos 80 pela Varig). Em novembro de 1927 (inaugurando a linha para a América do Sul da nova companhia francesa Aeropostale) chegava ao Rio de Janeiro Jean Mermoz, que se tornaria o mais famoso aviador da época.
Em 1929, a New York-Rio-Buenos Aires Line (NYRBA) iniciava seus serviços aéreos e passou a ligar o Brasil a essas duas importantes cidades, tendo sido fundada no Brasil a NYRBA do Brasil S.A., com linha semanal entre Belém e Santos, e que se transformaria na Panair do Brasil, extinta em 1965.
A fundação do Aerolóide Iguaçú, com linha inicial São Paulo-Curitiba e logo se estendendo a Florianópolis, marcou o ano de 1933. Em novembro de 1933 era fundada por 72 empresários, a Viação Aérea São Paulo (Vasp), que iniciaria em 1936 o vôo regular entre o Rio e São Paulo, a linha de maior tráfego da aviação brasileira. A Vasp encerrou seus voôs em 2004 e encontra-se com seu direito de tráfego cassado pelo DAC - Departamento de Aviação Civil, do Ministério da Defesa.
A extensão do país e a precariedade de outros meios de transporte fizeram com que a aviação comercial tivesse uma expansão excepcional no Brasil. Em 1960, o país tinha a maior rede comercial do mundo em volume de tráfego depois dos Estados Unidos. Na década de 50, operavam cerca de 16 empresas brasileiras, algumas com apenas dois ou três aviões e fazendo principalmente ligações regionais. Se destacava então na Amazônia a SAVA S.A. - Serviços Aéreos do Vale Amazônico, com sede em Belém, fundada pelo Comandante Muniz, que com a ajuda do seu amigo e futuro Brigadeiro e Ministro da Aeronáutica Eduardo Gomes, conseguiu a concessão presidencial para vôos regulares de passageiros e cargas.
A crise e o estímulo do governo federal às fusões de empresas reduziram esse número para apenas quatro grandes empresas comerciais (Varig, Vasp, Transbrasil e Cruzeiro). Muitas cidades pequenas saíram do mapa aeronáutico, mas ainda nessa mesma década organizaram-se novas empresas regionais, utilizando inicialmente os aviões turbohélices fabricados no Brasil pela Embraer, o Bandeirante EMB-110.
A Varig absorveu a Cruzeiro e adquiriu outras empresas regionais, se transformando, nas últimas décadas do Século XX, na maior transportadora da América Latina e a então regional TAM, dirigida pelo Comandante Adolfo Rolim Amaro - falecido em julho de 2001 em acidente de helicóptero no Paraguai, se transformou na segunda maior empresa do continente sul-americano. A Gol também se destacou como empresa comercial. A Transbrasil e a Vasp paralisaram suas atividades por problemas financeiros.
Nos últimos anos, por conta de conjunturas internas e externas o transporte aéreo no Brasil sofreu grandes perdas e inversões de papéis entre as empresas do setor. No início dos anos 90, o mercado era dominado pela Varig, como a empresa-símbolo da aviação nacional. Ainda atuavam Vasp e Transbrasil como empresas de importância tanto no mercado doméstico quanto internacional.
Entretanto, nos últimos anos, a TAM, antes um táxi aéreo sediado em Marília, SP, ganhou súbita importância na ligação Rio-São Paulo, especialmente pelo emprego de aeronaves a jato (Fokker 100) nessa rota, antes servida apenas pelos Lockheed Electra. Somado a isso surgiu pela primeira vez no país o conceito de empresa Low Fare com a Gol, que empregando aeronaves mais modernas que a média das outras empresas, alcança hoje seu posto como segunda empresa do país. Outra empresa que surgiu recentemente e segue um conceito similar é a BRA, Brasil Rodo Aéreo.
Vasp e Transbrasil tiveram o triste fim da falência no início do século XXI. A Varig, ainda que ostente ainda a importância simbólica de principal empresa aérea nas linhas internacionais, vem perdendo linhas e aeronaves em leasing, e encontra-se em situação financeira extremamente delicada. Atualmente, a TAM é principal empresa do mercado doméstico. No âmbito das linhas nacionais, especialmente nas ligações entre as capitais, as operações são feitas pela TAM, Gol, Varig e mais recentemente, pela BRA e OceanAir?.
O mercado regional do estado de São Paulo é servido pela Pantanal Linhas Aéreas e pela Passaredo. Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e Tocantins são servidos pela Total, sendo que esses dois últimos também pela Sete. O Centro-Oeste, Sul e Nordeste são ainda servidos pela OceanAir?.
A aviação brasileira cresceu muito nos últimos anos. Com o surgimento de novas companhias aéreas e a modernização das já existentes, foi possível aumentar o número de assentos disponíveis na malha aérea. A Gol lidera o ranking das empresas de baixo custo, podendo assim, repassar tarifas atraentes a todos os brasileiros. Com a competição entre as companhias foi possível melhorar o serviço e reduzir tarifas.
Grandes companhias internacionais também operam no Brasil: American Airlines, Continental Airlines, United Airlines, Lufthansa, Iberia, Japan Airlines, South African Airlines, British Airways, Air France, Air Canada entre outras.
A partir da II Guerra Mundial a aviação comercial assistiu a um grande desenvolvimento, transformando o avião num dos principais meios de transporte de passageiros e mercadorias no contexto mundial.
O transporte aéreo foi o que mais contribuiu para a redução da distância-tempo, ao percorrer rapidamente distâncias longas. Rápido, cómodo e seguro o avião suplantou outros meios de transporte de passageiros a médias a longas distâncias.
Este meio de transporte implica construção de estruturas muito especiais. Os aeroportos requerem enormes espaços e complicadas instalações de saída e entrada dos voos. Por outro lado, os custos e a manutenção de cada avião são bastante elevados. Tudo isto contribui para encarecer este meio de transporte.
Contrastes na distribuição
As linhas aéreas cobrem todo o mundo, mas de forma irregular encontrando-se uma maior densidade nos países desenvolvidos, mais ricos, alguns países petrolíferos, e nos novos países industrializados (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão…)
Vantagens
* É o mais rápido para transportar passageiros a médias e grandes distâncias
* Grande liberdade de movimentos
* É dos mais seguros e cômodos
* É o mais adequado para o transporte de mercadorias de alto valor (diamantes, instrumentos de óptica, produtos farmacêuticos, etc.) e de mercadorias perecíveis (frutas, flores, etc.)
Desvantagens
* Elevada poluição atmosférica, devido à emissão de dióxido de carbono
* Poluição sonora nas áreas circundantes aos aeroportos
* Forte consumidor de espaço – construção das infra-estruturas
* Elevado consumo de combustível
* È muito dispendioso
* Algumas áreas estão congestionadas, devido à densidade do tráfego, gerando problemas de segurança
* Muita dependência das condições atmosféricas(nevoeiro, ventos fortes…)
* Reduzida capacidade de carga(em relação a transportes marítimo e ferroviário)
Localização: os aeroportos localizam-se, normalmente longe das cidades, por questões de segurança e acessibilidade.
Periferia: em torno dos aeroportos desenvolvem-se bairros de hotéis, escritórios indústrias, redes de auto-estradas e de vias-férreas.
A maior parte do tráfego de produtos de alta tecnologia é feita por via aérea. Por este motivo muitas indústrias instalam-se cada vez mais, nas proximidades dos aeroportos internacionais, o que contribui para o desenvolvimento destes espaços.
Aeroportos no Brasil
* Aeroporto de Congonhas - São Paulo
* Aeroporto de Cumbica - São Paulo
* Aeroporto Internacional de Viracopos - Campinas
* Aeroporto da Pampulha - Belo Horizonte
* Aeroporto Internacional de Belo Horizonte-Tancredo Neves - Belo Horizonte
* Aeroporto Santos Dumont - Rio de Janeiro
* Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim - Rio de Janeiro
* Aeroporto Internacional Salgado Filho - Porto Alegre
* Aeroporto dos Internacional dos Guararapes - Recife
* Aeroporto Internacional Eduardo Gomes - Manaus
* Aeroporto Luiz Eduardo Magalhães - Salvador
* Aeroporto Jorge Amado - Ilhéus
* Aeroporto de Porto Seguro - Porto Seguro
* Aeroporto Internacional Pinto Martins - Fortaleza
* Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek - Brasília
* Aeroporto Afonso Pena - Curitiba
* Aeroporto Augusto Severo - Natal
* Aeroporto Internacional Hercílio Luz - Florianópolis
* Aeroporto Internacional de Belém - Belém
* Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares - Maceió
* Aeroporto Internacional de Campo Grande - Campo Grande
* Aeroporto de Londrina - Londrina
* Aeroporto Presidente João Suassuna - Campina Grande
* Aeroporto de Uberlândia - Uberlândia
* Aeroporto de Teresina - Teresina
Transporte Ferroviário
A malha ferroviária brasileira é pequena e obsoleta. Os serviços de passageiros praticamente acabaram, e os de carga subsistem em sua maioria para o transporte de minérios. A única linha de passageiros que ainda preserva serviços diários de longa distância com relativo conforto é a ligação Belo Horizonte-Vitória. Entretanto, ainda existem algumas ferrovias de interesse exclusivamente turístico em funcionamento, tais como Curitiba-Paranaguá.
Rede Ferroviária Federal 1957-2007
* Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
* Estrada de Ferro de Bragança
* Estrada de Ferro São Luís-Teresina
* Estrada de Ferro Central do Piauí
* Rede de Viação Cearense
* Estrada de Ferro Mossoró-Sousa
* Estrada de Ferro Sampaio Correia
* Rede Ferroviária do Nordeste
* Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro
* Estrada de Ferro Bahia-Minas
* Estrada de Ferro Leopoldina
* Estrada de Ferro Central do Brasil
* Rede Mineira de Viação
* Estrada de Ferro de Goiás
* Estrada de Ferro Santos-Jundiaí
* Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
* Rede de Viação Paraná-Santa Catarina
* Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina
Transporte Rodoviário
Mapa rodoviário do estado de São Paulo.
Mapa rodoviário do estado de São Paulo.
Apesar de ter as rodovias como principal forma de trânsito a nível nacional, estas não compreendem uma rede eficaz, segura e moderna. Grande parte das ligações interurbanas no país, mesmo em regiões de grande demanda, ainda se dão por estradas de terra ou estradas com pavimentação quase inexistente. Durante a época de chuvas, a maioria das estradas enche-se de buracos, sendo comuns, ainda que em menor quantidade, deslizamentos de terra e quedas de pontes, provocando muitas vezes prejuízos para o transporte de cargas bem como acidentes e mortes.
As rodovias do país que se encontram em boas condições geralmente estão sujeitas a pedágios, tais como a Rio-Juiz de Fora e a Régis Bittencourt. O transporte rodoviário de passageiros do país compreende uma rede extensa e intrincada, sendo possíveis viagens que, devido à sua duração, em outros países, só são possíveis por via aérea.
Lista de rodovias do Brasil
* Rodovia Osvaldo Aranha
* Rodovia Transamazônica
* Rodovia Belém-Brasília
* Rodovia dos Imigrantes
* Rodovia dos Bandeirantes
* Rodovia Fernão Dias
* Rodovia Ayrton Senna
* Rodovia Carvalho Pinto
* Rodovia Dom Pedro I
* Rodovia Rio-Santos
* Rodovia Washington Luiz
* Rodovia Régis Bittencourt
* Rodovia Raposo Tavares
* Rodovia Anhanguera
* Rodovia Presidente Dutra
* Rodovia Anchieta
* Rodovia Castelo Branco
* Rodovia Luiz Gonzaga


